O que os dados da Sandbox revelam sobre a saúde da mulher

No mês que celebra o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, os holofotes se voltam para conquistas — e é justo que se voltem. Mas, nos dados de saúde, existe uma mulher que raramente aparece nas manchetes: aquela que adia a própria saúde, que chega tarde ao diagnóstico, que carrega o peso de condições silenciosas por anos antes de receber o nome certo para o que sente.

A Sandbox | Data for Health investigou um datalake único com 9 milhões de pacientes da Saúde Suplementar, representando 17% de todo o mercado brasileiro. Os dados são oriundos de contas pagas: qualquer procedimento realizado por beneficiários e efetivamente reembolsado pelas Operadoras. O que encontramos sobre a saúde feminina vai além dos números.

A mulher no centro do sistema de saúde

Mulheres utilizam mais o sistema de saúde. São mais aderentes à prevenção, mais frequentes nos consultórios e mais presentes nos dados de Saúde Suplementar, mas isso não significa que estão recebendo melhores cuidados.

Essa maior utilização, no entanto, não se traduz automaticamente em melhores desfechos. Há uma lacuna entre quanto as mulheres acessam o sistema e quanto o sistema as compreende — especialmente quando o assunto é saúde ginecológica e reprodutiva.

Quando a prevenção salva — e quando ela falha

O câncer de mama é o mais incidente entre mulheres no Brasil, excluindo tumores de pele não melanoma. O câncer de colo do útero é o terceiro mais frequente. Ambos têm alta chance de cura quando detectados precocemente, mas os dados revelam algo que os protocolos ainda não conseguiram resolver: a adesão ao rastreamento é desigual.

“Para cada mamografia realizada na faixa etária indicada, estimamos ao menos 1,8 mulher que deveria ter feito o exame e ainda não fez dentro da nossa base de Saúde Suplementar.”

O dado mais revelador não é a ausência das mulheres no sistema; é que muitas estão presentes, consultando regularmente, mas ainda escapam do rastreamento. Isso aponta para uma oportunidade de gestão: identificar, dentro da própria jornada de cuidado, quem está na janela de risco e ainda não foi rastreado.

Contracepção: autonomia e o que os dados não mostram

Entre os procedimentos femininos mais realizados na base de Saúde Suplementar, a inserção de DIU e o implante contraceptivo figuram com expressiva presença: 122 mil. Mais do que um dado sobre métodos, esse número fala sobre autonomia: mulheres que decidem, planejam e acessam o sistema para exercer controle sobre o próprio corpo.

O crescimento do implante subcutâneo — um método de longa duração que dispensa reposição mensal — é um sinal claro: quando o acesso existe, a mulher escolhe a solução mais eficaz e prática para a sua vida. O salto de 1.850% em cinco anos dentro da Saúde Suplementar sugere que o movimento é consistente, e não pontual.

“A contracepção é, talvez, o ato de saúde preventiva mais praticado pelas mulheres — e, ainda assim, raramente é tratada como dado de saúde. Quando olhamos para isso, estamos olhando para escolhas, projetos de vida e planejamento de futuro.”

O custo de ser mulher no sistema de saúde

Quando comparamos o custo médio anual de pacientes femininas com pacientes masculinos de mesmo perfil etário, emerge uma diferença que vai além do biológico: mulheres têm custos per capita maiores nas faixas reprodutivas, impulsionados por saúde ginecológica, saúde mental e condições crônicas de maior prevalência feminina.

Esse diferencial não é um problema; é uma realidade fisiológica e social que o sistema precisa entender melhor. O risco é tratar esse custo como desvio, quando, na verdade, é sinal de um cuidado mais ativo que, se bem-direcionado, gera melhores desfechos e reduz custos futuros.

O que os dados nos permitem fazer de maneira diferente

Os números do nosso datalake não são apenas um retrato; são uma oportunidade de intervenção. Identificar, dentro da jornada de cuidado de cada mulher, os gaps de rastreamento, os momentos de janela para contracepção de longa duração e os sinais precoces de condições crônicas é o que transforma dados em saúde.

Março é o mês da mulher. Mas os dados são de todos os meses — e eles precisam ser usados.

Metodologia

Os dados são provenientes do datalakeproprietário da Sandbox | Data for Health, composto de 9 milhões de pacientes da Saúde Suplementar brasileira (17% do mercado). A origem são registros de contas pagas entre 2019 e 2024, incluindo procedimentos ambulatoriais, internações e exames realizados por beneficiários e reembolsados por Operadoras de saúde. Análises comparativas de custo utilizam como referência dados públicos da ANS e D-TISS de 2024. Os percentuais de cobertura de rastreamento são estimativas baseadas nos registros de procedimentos com CIDs específicos para a população feminina elegível na base. Todos os dados foram anonimizados e tratados em conformidade com a LGPD.

Sandbox | Data for Health 2026.

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